19/05/15



2 agosto 1849

Siamo salpati da Cesenatico. Ana sta male, è febbricitante, ed è incinta. Ho paura di perderla.

Che potevo fare, io ho seguito il mio destino, sono nato marinaio, viaggiatore, rivoluzionario. Ma per seguire la mia indole ho messo a repentaglio la vita di chi amo. E se fossimo rimasti in Uruguay? Se il mio destino si fosse compiuto in Sud America e lì avessi dovuto riposarmi con affetti e famiglia? Eppure sento che il destino ha altre carte da servirmi, c'è molto da fare e il mio paese ha bisogno di me. So che Ana pensa lo stesso, e questo mi rincuora.

Mi sento diviso tra due mondi, è forse questa la mia casa? È forse questa la mia terra? L’Italia è piena di voltagabbana, non sai mai di chi fidarti. Ci sarà da fidarsi dei piemontesi? Certe volte, di notte, sento ancora le chitarre dei gauchos; a volte sento che ormai la mia terra sta altrove.
Ho bisogno di un coraggio sovraumano, per me e per Anita. Terra d’Italia, sii gentile con lei, dacci la forza.

G.G.


G.G. (Torino, 18 maggio 2015)

16/05/15

carta aberta...

Eccomi! Sou o Senhor Buonarroti! Bravo, bravissimo! Mas você deve me conhecer por Michelangelo! Va bene! Isso mesmo, sou o responsável por aquele trabalho formidável, isso você já está cansado de saber! O que você não sabe é que eu sou também o responsável por criar o estereótipo do artista moderno. Sim, sou extravagante, temperamental, criativo e as coisas têm que ficar do meu jeito mesmo! Brigo até com o papa se for preciso! Se o vinho não estiver bom, eu jogo fora! Jogo na sua cara! Busco a perfeição, caspita! La perfezione! Não é à toa que todos me admiram e apreciam as minhas obras. Mas você acha que é fácil? Cazzo! Claro, que não! Minhas costas doem até hoje por causa daqueles afrescos! Você deve me achar um fresco, não é? Pouco me importa! O que importa realmente é que eu imortalizei o meu nome na história com essas pinturas. E abri caminhos para a modernidade. Enfim, não tenho tempo para ficar me justificando! Nem sou obrigado! Era só o que me faltava! Ciao!

Tiago Elídio... Rio de Janeiro... 12/5/2015...

10/05/15

Dresda



La radiosveglia attaccò alle 7:26, aveva l’abitudine di programmarla a orari anticonvenzionali. Pensò di stare ancora sognando, la radio gli parlava in tedesco. Da anni ormai non parlava più quella lingua, ma qualcosa nel cervello doveva essergli rimasto, nel dormiveglia riusciva a distinguere i duri suoni teutonici e a separare le parole. Si discuteva della prima pagina del tabloid tedesco Das Bild, che un giorno dopo la nomina di Ratzinger titolava a caratteri cubitali Wir Sind Papst, siamo papa. Gli parve strano, nei primi secondi post-risveglio, che ancora se ne parlasse. Aprì gli occhi, sonnolenti, allungò il braccio verso il comodino e spense la radio con qualche difficoltà, non riusciva a trovare il pulsante. In quel momento si accorse della stanza. Non era buia, era solito dormire con le tapparelle completamente abbassate, la luce del giorno appena cominciato filtrava dalle tende sottili e illuminava i mobili e i quadri della sua camera da letto di Dresda, in cui aveva vissuto molto tempo prima.

Rimase sdraiato per un tempo indefinito, la stanza era piena di oggetti non suoi. Si alzò barcollando, non aveva senso, non viveva più a Dresda da almeno dieci anni. Aveva sognato i dieci anni o stava sognando ora la stanza? Andò verso la porta e la aprì, ricordava benissimo che il bagno, con le piastrelle azzurro pastello, era sulla destra. Era ancora lì. Entrò in bagno e si lavò la faccia, gli veniva da vomitare. Non fece in tempo a guardarsi intorno, non si guardò nemmeno allo specchio, perché fu proprio allora che sentì il pianoforte. Qualcuno stava suonando un movimento della Suite Bergamasque, qualcuno che doveva essere in quella casa, in un’altra stanza, il suono era troppo nitido e vicino. Trascinò i piedi fino al corridoio, lo percorse ansimando, passo dopo passo, una mano appoggiata alla parete come a sostenersi, passo-mano che striscia-passo, sapeva che la sala con la cucina e il pianoforte era lì, sulla sinistra. E dalla soglia la vide. Vide le sue mani sui tasti, i capelli neri, scompigliati, gli occhiali, il pigiama ridicolo, quello verde a maniche lunghe. Era lei, ed era lì, di profilo. Aveva veramente sognato tutto? Il tradimento, la separazione, il trasloco, gli anni passati a dimenticarla, a parlare una lingua diversa. Lei era lì al pianoforte, suonava proprio quel brano, e la colazione era in tavola.

G.G. (Misano Adriatico, Rimini, 8 maggio 2015)

08/05/15

vai e vem...

estava imerso em um lugar onde a escuridão imperava em meio a imagens desconexas... de repente, uma se sobressaiu... estava então deitado em uma cama... abriu os olhos e se deparou com um quarto sem portas nem janelas, iluminado com uma luz forte, reluzindo nas paredes brancas claustrofóbicas, onde não havia nada, exceto um relógio digital que marcava o dia e as horas... seus olhos doíam... com muita dificuldade, conseguiu ver que eram 5 horas do dia 8 de maio de 2025... sentiu-se zonzo... não conseguia entender o que estava fazendo ali... e não estava conseguindo suportar a claridade extrema... fechou então os olhos com toda sua força, sentindo-se afogado visualmente... em um sobressalto, abriu novamente os olhos... começou a observar o espaço e viu que, novamente, não estava no seu quarto... assustou-se quando percebeu outra pessoa dormindo numa cama ao lado... no entanto, começou a reconhecer onde estava... e as coisas começavam a fazer sentido... estava novamente na cidade onde havia estudado, no quarto que já havia sido seu... e ali estava seu antigo colega de quarto, que esboçou uma reação... mas apenas mudou de posição e continuou dormindo... de repente, o celular começou a tocar... assustou-se... seu antigo colega levou alguns longos segundos para desligar o despertador... então se sentou na cama, esfregando os olhos... os dois estavam frente a frente... como uma estátua, ficou encarando seu colega, que então se levantou, abriu a porta e foi ao banheiro... continuou ali sentado na sua antiga cama, sem entender o que estava fazendo ali... mas sem pensar muito, se levantou e foi olhar algumas folhas que estavam em cima da sua antiga mesa... eram algumas anotações das quais já não se lembrava mais... observou também o calendário... maio de 2005... seu colega voltou então ao quarto e passou por ele... indiferente... colocou os óculos e saiu novamente... nenhum comentário... resolveu então voltar para sua antiga cama... permaneceu ali deitado, olhando para o teto, tentando entender o que estava acontecendo... mas não entendeu...

Tiago Elídio... Rio de Janeiro... 8/5/2015...

04/05/15

Discorso al Funerale di M.



Non sono sicuro che la Morte colga tutti di sorpresa, non credo abbia colto M. impreparato. Anzi, credo che M. l’abbia aspettata e le abbia anche sorriso quando l’ha vista arrivare. Lo conoscevo bene, io ero il figlio che aveva scelto, lui la guida che mi ha accompagnato per vent'anni. E so per certo che ha aspettato la Signora con quel suo sorriso buono, nascosto dietro a un barbone bianco da nonno mai stato padre. 

Un uomo che ha vissuto tutta la vita in equilibrio su un filo, senza farsi mettere i piedi in testa da nessuno; che ha aiutato tutti e vedeva il bene in tutti; che ha riso in faccia al sistema, e quando il sistema ha cercato di fargliela pagare, ne ha riso di nuovo e ancora più forte. Non è retorica, M. era davvero una perla rara. Nelle nostre vene non scorreva lo stesso sangue, ma la mia anima ne ha assorbito gli insegnamenti come una spugna, come si fa con i padri. Molto di lui sopravvive in me e continuerà a vivere nei miei figli.

Un uomo così, che come un attore ha recitato la commedia della vita in modo splendido, sa quando il sipario si richiuderà sul palco. Un uomo così non si fa sorprendere dalla fine. La osserva arrivare e le sorride. «Vieni, vieni,» le dice, «ché son stanco, stanco morto». Lo immagino così, che si incammina a braccetto con la Morte mentre le racconta della sua vita libera, una di quelle vite che tutti vorremmo e dovremmo vivere.

E anche la Morte si fa una risata, pensando che – mannaggia – è proprio un peccato consegnare un uomo così all’aldilà.

G.G. (Luino, 3 maggio 2015)

02/05/15

carta de adeus...




Rio de Janeiro, 2 de maio de 2015.

Querido,

Sei que lhe resta pouco tempo, e sinto muito por isso. Amanhã você já não estará mais aqui. É triste, mas a vida segue. Sua energia continuará emanando pelo universo. Eu poderia esperar e escrever isso depois da sua partida, mas prefiro falar com você enquanto você ainda está por aqui. Passamos bons momentos juntos e ainda nos resta algumas horas. Esse momento de comunicação é importante para eternizar essa nossa relação. E também a sua relação com os outros, que parecem não se dar conta de que você logo se esvairá. As crianças continuam brincando, os adultos continuam fazendo suas atividades cotidianas, os turistas continuam explorando a cidade e assim seguimos todos. Amanhã isso tudo provavelmente continuará, com uma diferença ou outra. No futuro, quando eu me lembrar de você, pensarei na imensidão do mar, no bater das asas dos passarinhos, na areia presa nos pés, no ruído humano. Lembrarei também de uma linda lua cheia no céu, uma proximidade longínqua captada pelo olhar. Enfim, essas são apenas algumas boas percepções que me farão lembrar de você! À meia-noite nascerá um novo dia e você, dia 2 de maio de 2015, você já não estará mais aqui. Vá em paz!

Com carinho,

Tiago...