estava imerso em um lugar onde a escuridão imperava em meio a imagens desconexas... de repente, uma se sobressaiu... estava então deitado em uma cama... abriu os olhos e se deparou com um quarto sem portas nem janelas, iluminado com uma luz forte, reluzindo nas paredes brancas claustrofóbicas, onde não havia nada, exceto um relógio digital que marcava o dia e as horas... seus olhos doíam... com muita dificuldade, conseguiu ver que eram 5 horas do dia 8 de maio de 2025... sentiu-se zonzo... não conseguia entender o que estava fazendo ali... e não estava conseguindo suportar a claridade extrema... fechou então os olhos com toda sua força, sentindo-se afogado visualmente... em um sobressalto, abriu novamente os olhos... começou a observar o espaço e viu que, novamente, não estava no seu quarto... assustou-se quando percebeu outra pessoa dormindo numa cama ao lado... no entanto, começou a reconhecer onde estava... e as coisas começavam a fazer sentido... estava novamente na cidade onde havia estudado, no quarto que já havia sido seu... e ali estava seu antigo colega de quarto, que esboçou uma reação... mas apenas mudou de posição e continuou dormindo... de repente, o celular começou a tocar... assustou-se... seu antigo colega levou alguns longos segundos para desligar o despertador... então se sentou na cama, esfregando os olhos... os dois estavam frente a frente... como uma estátua, ficou encarando seu colega, que então se levantou, abriu a porta e foi ao banheiro... continuou ali sentado na sua antiga cama, sem entender o que estava fazendo ali... mas sem pensar muito, se levantou e foi olhar algumas folhas que estavam em cima da sua antiga mesa... eram algumas anotações das quais já não se lembrava mais... observou também o calendário... maio de 2005... seu colega voltou então ao quarto e passou por ele... indiferente... colocou os óculos e saiu novamente... nenhum comentário... resolveu então voltar para sua antiga cama... permaneceu ali deitado, olhando para o teto, tentando entender o que estava acontecendo... mas não entendeu...
Tiago Elídio... Rio de Janeiro... 8/5/2015...
08/05/15
04/05/15
Discorso al Funerale di M.
Non sono sicuro che la Morte colga tutti di sorpresa, non credo abbia colto M. impreparato. Anzi, credo che M. l’abbia aspettata e le
abbia anche sorriso quando l’ha vista arrivare. Lo conoscevo bene, io ero il
figlio che aveva scelto, lui la guida che mi ha accompagnato per vent'anni. E so
per certo che ha aspettato la Signora con quel suo sorriso buono, nascosto dietro a un barbone bianco da nonno mai stato padre.
Un uomo che ha vissuto tutta la vita in equilibrio su un
filo, senza farsi mettere i piedi in testa da nessuno; che ha aiutato tutti e
vedeva il bene in tutti; che ha riso in faccia al sistema, e quando il sistema
ha cercato di fargliela pagare, ne ha riso di nuovo e ancora più forte. Non è
retorica, M. era davvero una perla rara. Nelle nostre vene non scorreva lo stesso sangue, ma la mia anima ne ha assorbito gli insegnamenti come una spugna, come si fa con i padri. Molto di lui sopravvive in me e continuerà a vivere nei miei figli.
Un uomo così, che come un attore ha recitato la commedia della vita in modo splendido, sa quando il sipario si richiuderà sul palco. Un uomo così non si fa sorprendere dalla fine. La osserva
arrivare e le sorride. «Vieni, vieni,» le dice, «ché son stanco, stanco morto».
Lo immagino così, che si incammina a braccetto con la Morte mentre le racconta della
sua vita libera, una di quelle vite che tutti vorremmo e dovremmo vivere.
E anche la Morte si fa una risata, pensando che –
mannaggia – è proprio un peccato consegnare un uomo così all’aldilà.
G.G. (Luino, 3 maggio 2015)
G.G. (Luino, 3 maggio 2015)
02/05/15
carta de adeus...
Rio de Janeiro, 2 de maio de 2015.
Querido,
Sei que lhe resta pouco tempo, e sinto muito por isso. Amanhã você já não estará mais aqui. É triste, mas a vida segue. Sua energia continuará emanando pelo universo. Eu poderia esperar e escrever isso depois da sua partida, mas prefiro falar com você enquanto você ainda está por aqui. Passamos bons momentos juntos e ainda nos resta algumas horas. Esse momento de comunicação é importante para eternizar essa nossa relação. E também a sua relação com os outros, que parecem não se dar conta de que você logo se esvairá. As crianças continuam brincando, os adultos continuam fazendo suas atividades cotidianas, os turistas continuam explorando a cidade e assim seguimos todos. Amanhã isso tudo provavelmente continuará, com uma diferença ou outra. No futuro, quando eu me lembrar de você, pensarei na imensidão do mar, no bater das asas dos passarinhos, na areia presa nos pés, no ruído humano. Lembrarei também de uma linda lua cheia no céu, uma proximidade longínqua captada pelo olhar. Enfim, essas são apenas algumas boas percepções que me farão lembrar de você! À meia-noite nascerá um novo dia e você, dia 2 de maio de 2015, você já não estará mais aqui. Vá em paz!
Com carinho,
Tiago...
29/04/15
Kreuzberg
Quando vieni questa sera
e raggiunta la stazione
ti chiederai se ha un senso
rivedersi e ri-conoscere,
non chiedermi degli anni
che ho trascorso in altri dove.
Quando salirai la scala
del metrò e guarderai in alto
per trovarmi sempre uguale
a come tu ti ricordavi,
non chiedermi se il cuore
è occupato da qualcuno.
Perché non son venuta
a parlare del passato
e le risposte che darei
alienerebbero i minuti.
Quando in pochi brevi giorni
t’innamorerai di me
non chiedermi se torno,
mi costringerai a mentire.
Perché non son venuta
a parlare del futuro
e le bugie che ti direi
sono rimedi palliativi.
Quando arriverai stasera
e ci siederemo al bar,
come sette anni prima
m’incanterai di nuovo.
Chiedi come sono ora,
nell’eternità di un attimo,
se son felice adesso,
in una splendida Berlino.
Per questo son venuta,
a parlare di presente,
e le risposte che ti do,
sono effimere
ma vere.
G.G. (Milano, 27 aprile 2015)
G.G. (Milano, 27 aprile 2015)
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